O autor já prepara a nova edição que deve sair ainda este ano |
Paulo é um retirante ruralista que fez da sua vida uma peregrinação pelas feiras literárias brasileiras para divulgar o Nordeste como ele é. Em sua essência. Chapéu, alparcatas, bolsa de couro, uma cabaça de água, muitos livros na mão, em cima de um tamanco inusitado, o escritor passeia pelos eventos para mostrar aos leitores a sua criatividade.
Sobrevivente da seca de 1992/93, em Caraúbas, na Paraíba, Paulo criou personagens e enredos fictícios para eternizar a história dos nordestinos que vivem em secas reais no semi-árido. A obra do escritor retrata o sofrimento do solo, dos animais e dos homens, além de abordar temas como religiosidade, mortalidade infantil, exclusão social e resistência.
Vestido à caráter das suas tradições naturais, o escritor percorre os maiores eventos de Literatura do país, como a Feira do Livro de Parati, as bienais do Rio de Janeiro, Recife, São Paulo, Natal e Brasília, entre outras. Um dos destaques da indumentária de Paulo é o tamanco, uma plataforma confeccionada por ele, com 35 cm de altura, a base de madeira umburana e oca por dentro, na qual ele usa para guardar objetos pessoais e alimentos, a exemplo de banana, cenoura, castanhas, rapadura e mel.
Em Campina Grande, o escritor costuma "aparecer" no período junino. Geralmente é visto em cima de seu tamanco com os livros nas mãos no Sítio São João.
Nascido em Caraúbas, micro-região do Cariri Paraibano, Paulo mora em Campina Grande desde 1981, quando veio estudar e trabalhar na cidade. Graduado em Administração pela Universidade Regional do Nordeste (antiga URNe) enveredou pelo caminho da literatura. Obstinado pela leitura concluiu em 1998, o curso de Licenciatura Plena em História e, em 2000, a Especialização em Formação do Educador, ambas na UEPB. Atualmente, Paulo divide a verve inventiva para as letras com o ofício de professor. "Eu sou um apaixonado pelas coisas do Nordeste", revelou.
"O Martírio dos Viventes" principal obra do autor, foi produzido quando o Paulo Cavalcante viveu a seca de 1992/93 em Caraúbas. Tem alguns elementos do clássico "O Quinze" de Raquel de Queiroz, embora o autor tenha imprimido o seu estilo próprio. Ele conta que na época observou o sofrimento do solo, dos animais e dos homens. Naquele cenário exótico e real criou personagens e enredo, numa tentativa de valorização e resgate dos costumes e tradições passados. O livro, segundo ele, "é um grito de alerta do sertanejo às ideologias presentes para amenizar o sofrimento do sertão semi-árido em secas futuras". A obra de 94 páginas publicada pela Editora Universitária da UFPB, tem elementos bem regionais que fazem parte do cotidiano do homem do campo. O escritor e desbravador das causas nordestinas segue o seu destino divulgando o Nordeste e mostrando que mesmo nas adversidades, o sertanejo é mesmo, acima de tudo, um forte.
MATERIA DIVULGADA NO JORNAL DIARIO DA BORBOREMA
LINK: http://www.diariodaborborema.com.br/2011/07/07/cultura1_0.php







